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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Quando você tiver um aluno com Artrite Reumatóide Juvenil

Quando você tiver um aluno com Artrite Reumatóide Juvenil
"Um Guia para Professores"


A maioria das pessoas pensa que reumatismo – é um mal limitado às pessoas mais velhas. Saber que, por exemplo, só nos Estados Unidos há mais de 250.000 crianças, jovens e adolescentes sofrendo de artrite pode ser um choque.

Atualmente o termo artrite é usado para designar mais de 100 diferentes doenças reumáticas, com um fator comum entre todas elas: dores intensas e, algumas vezes, lesões nos tecidos em torno das juntas.

A Artrite Reumatóide Juvenil é a forma mais comum de artrite crônica que acomete crianças e adolescentes com menos de 16 anos.
Por alguma razão, o sexo feminino é o mais atingido. Embora o seu aluno com artrite possa ser um garoto, no presente trabalho, a fim de genericamente termos maior abrangência, trataremos a criança com artrite de sua classe como se fosse uma menina. Pelo mesmo motivo a trataremos como uma professora.
Os sintomas da Artrite Reumatóide Juvenil (ARJ) incluem dores e inflamação crônica nas articulações e, algumas vezes, febre e erupções. Ela pode atacar uma ou mais articulações, inclusive as dos dedos, pulsos, cotovelos, quadris, joelhos e pés.
A febre e a erupção que não significam possibilidade de contágio - podem ocorrer simultaneamente ou não, com ou sem o envolvimento das articulações.

Quando um de seus alunos tiver artrite, é importante você saber alguma coisa sobre essa doença e seus efeitos na criança e em suas atividades escolares.

Em virtude da gravidade e do tipo a ARJ variar enormemente de criança para criança, este folheto pretende fornecer apenas informações genéricas e uma linha de conduta padrão para ajudá-la a ajudar sua aluna.O ideal é que, antes do ano escolar começar, você (e, talvez o responsável pelo Departamento de Saúde da escola) e os pais da criança tenham um encontro com a finalidade de discutir sua saúde.

A artrite pode ocasionar problemas emocionais tanto quanto físicos e isso pode interferir na escola. Você precisa ser alertada para os tipos de problemas que poderão afetar as atitudes e a performance da criança. Durante todo o ano, você e os pais de sua aluna devem trocar informações sobre qualquer mudança no seu estado físico ou emocional. Se você tiver alguma pergunta que os pais não saibam responder, faça um contato com o médico da criança.

Normalmente, pais de crianças com artrite são extremamente conscientes da importância da escola para seus filhos e ficam ansiosos para ter contato com seus professores e outros elementos da escola, a fim de ficarem seguros de que seus jovens terão um desenvolvimento escolar e social tão normal quanto possível.

Sempre é bom lembrar que a Artrite Reumatóide Juvenil (ARJ) é absolutamente diferente do reumatismo infeccioso ou reumatismo no sangue que outras crianças podem ter.
É uma doença que não é transmitida por contato, isto é, não é infecto-contagiosa, e seu portador está liberado para piscinas ou qualquer outro ambiente com outras crianças.
Não se engane pelas aparênciasA artrite na infância pode não ser facilmente visualizada mas os problemas e as dores existem. Por causa disso, a aparência exterior de sua aluna pode não exibir nenhum sinal significativo da doença.
A ARJ pode interferir no crescimento de sua aluna - por esse motivo ela pode ser menor que as outras crianças de sua idade, às vezes ela pode ter o queixo retraído devido ao menor crescimento das mandíbulas.
Ela poderá andar com as pernas rígidas, dando passos bem curtos. Juntas inchadas são freqüentes mas somente se tornam mais preocupados quando a doença chegou a um ponto de causar deformidades, principalmente nos punhos e nos dedos.
É comum a criança não se queixar de dor mas se revelar com as articulações bastante rígidas e com incapacidade para realizar certas tarefas.
É preciso compreender, também, que a ARJ pode afetar, invisivelmente, outras partes do corpo, como o coração, olhos, fígado, etc.E como não há razões visíveis para sua aparência, pode ser difícil para certas pessoas entender que a dor é genuína e que as limitações são legítimas.
Um outro aspecto da artrite, causador de incomprensões e enganos é a constante e radical mudança de seus sintomas de um dia para o outro ou da manhã para a tarde. A dor e a rigidez de uma junta podem ser suaves num dia e, no outro, tão severas que a criança não pode ser movimentar sem muita dor e bastante dificuldade.
Não esqueça que sua aluna provavelmente está confusa sobre essa imprevisível oscilação das suas condições físicas. Poderá ser um grande erro imaginar que ela está mentindo ou fazendo corpo-mole quando se queixa de dor ou não consegue completar uma tarefa. Na verdade, muitas crianças com artrite querem exatamente ser como as outras crianças - por isso muitas vezes elas tentam ignorar sua dor e suas limitações.
Algumas crianças têm artrite de uma forma tão séria que são raros os dias em que estão bem. Nos Estados Unidos é comum essas crianças usarem cadeiras de rodas - antes, elas eram, por isso, restringidas a escolas especializadas, agora, existe uma lei federal que impede essas crianças de serem excluídas de qualquer escola por causa desta enfermidade. Antigamente, por falta de melhor orientação, crianças com artrite muitas vezes eram consideradas incapazes para acompanhamento das atividades escolares e, por isso, pouco freqüentavam as escolas.
Atualmente, com a evolução da medicina terapêutica e maior esclarecimento sobre o assunto aos pais e à sociedade em geral, recomenda-se que as crianças levem uma vida tão normal quanto possível. Por esse motivo, suas chances de ter, em sua sala, um aluno com artrite são bem maiores do que no passado e há tendência dessas chances aumentarem a cada ano.
O TratamentoEm virtude da artrite na infância não ser a mesma coisa em todas as crianças, não existe um modelo padrão de tratamento.
O programa do tratamento da sua aluna será individualizado de acordo com as juntas afetadas, com o grau de severidade da doença e de acordo com sua idade.
Mais comumente, esse tratamento incluirá remédios, um balanceado programa diário de descanso e exercícios físicos específicos, terapia com calor úmido (compressas e hidroterapia), splints (talas especiais) para proteção de determinadas juntas que estejam muito atingidas, para evitar deformações, e, possivelmente, cirurgia em alguns casos.
É fundamental, também, que sua aluna tenha um suporte de apoio emocional dos pais, de outros membros da família, às vezes de um psicólogo profissional e, especialmente, de ... VOCÊ.
O grande problema é que as causas e a cura da artrite são ainda desconhecidas - por isso, a finalidade do tratamento é manter a doença sob controle: aliviar as dores, reduzir todos os sintomas e prevenir maiores conseqüências da doença.
FisioterapiaO médico ou o fisioterapeuta de sua aluna certamente ensinaram aos pais como fazer os exercícios físicos para as articulações da criança. Esses exercícios ajudam-na a manter as juntas com ampla mobilidade, melhoram suas atividades funcionais e minimizam deformidades e incapacidades permanentes. Embora esses exercícios sejam normalmente feitos em casa durante a manhã e no final da tarde é possível que sua aluna precise fazer alguns exercícios durante o período em que estiver na escola - nesse caso, certamente os pais entrarão em contato com você para falar sobre isso.
Embora você, a professora, não seja responsável pela supervisão dessa fisioterapia, é importante você estar consciente de seus efeitos potenciais no estudante. Como já foi mencionado, a rigidez das articulações muda de um dia para o outro. Normalmente o maior desconforto é sentido quando a criança acorda, ao se levantar de manhã. Dessa forma, para poder dar tempo de aliviar as dores e diminuir a rigidez, provavelmente sua aluna começa o dia uma ou duas horas mais cedo do que suas companheiras de classe. Assim que ela levantar provavelmente, uns dez ou quinze minutos de banho bem quente (se possível, em banheira, com turbilhão, um compressor de ar para hidromassageá-la) serão seguidos de um tempo para flexionar as juntas muito afetadas, com exercícios especiais.
O tempo necessário para essa terapia varia, dependendo da rigidez e das dores existentes naquela manhã. Podem ser 30 minutos num dia e levar uma hora no outro. O tempo que leva para melhorar a rigidez matinal é um bom indicador do grau de gravidade da doença. Quanto maior for esse tempo, mais ativa estará a doença; e assim haverá maior necessidade de descanso.
Particularmente nos piores dias, quando há uma crise aguda da doença, ou quando há uma consulta marcada com seu médico, ela pode chegar atrasada na escola ou mesmo faltar à aula. É importante que se entenda que esse atraso ou mesmo essa ausência é absolutamente necessária.
Talvez a mais importante fisioterapia para a criança com artrite reumatóide seja a natação. Por causa disso sua aluna talvez gaste uma boa parte de seu dia para ir até uma piscina nadar; este tempo será maior ou menor dependendo de suas condições de moradia e familiares.
E atenção: crianças com artrite são muito sensíveis quanto à repercussão de seus atrasos, faltas ou qualquer outra coisa que chame atenção sobre si por parte de seus coleguinhas. Entendendo esse aspecto e evitando que isso aconteça você estará lhe poupando um grande problema.
MedicaçãoA pedra fundamental do tratamento de sua aluna é a medicação, os remédios.
Eles são utilizados para suprimir e controlar as dores e a inflamação das juntas. Da mesma maneira que muitas outras formas de artrite, a droga mais comumente prescrita é a aspirina, exatamente a mesma aspirina que qualquer pessoa usa para resfriado e simples dores de cabeça. Porém, na artrite, ele é tomada em altíssimas doses porque o objetivo é suprimir a inflamação, controlando as dores e a inchação das juntas.
Para conseguir isso, um nível elevado de aspirina no sangue deve ser mantido o tempo todo - e isso significa que a aspirina (ou o AAS, ácido acetil salicílico) dever ser metódica e freqüentemente tomado, de acordo com um rígido programa estabelecido pelo médico.
Esse programa da medicação pode incluir remédios para serem tomados durante as horas em que a criança estiver na escola - muitas vezes em horários determinados e acompanhados de algum lanche, para prevenir complicações gástricas.
Os pais de sua aluna deverão dar a você caso necessário, uma programação da medicação a tomar na escola.
Existem outras medicações importantes que, se for o caso, poderão ser tema de uma conversa entre você e os pais de sua aluna.
Além disso, há outros assuntos também importantes que devem merecer sua atenção:

Tem idade e responsabilidade suficiente para tomar o   remédio sem supervisão direta?

Os pais aprovam isso?

A escola permite isso? - ou a medicação deve ficar em   poder ou com uma enfermidade ou com algum outro   elemento da escola?
Sua aluna bem poderá, por exemplo, ter que tomar algum comprimido duas vezes durante o horário escolar; isso deverá ser feito rotineiramente, sem necessidade de uma ida até sua casa ou outro local fora da escola.
Gostaríamos de chamar-lhe a atenção para isso, já que tomar essa medicação, sem faltas e na hora correta pode ser crítico para o bem estar de sua aluna.
Certifique-se junto aos pais de que as responsabilidades sejam bem definidas e de que todas as providências e necessidades estejam bem claras e entendidas por todas, inclusive para a menina.
Algumas crianças podem se sentir constrangidas em tomar medicação em frente de suas coleguinhas, porque isso chama atenção para sua condição. Por causa disso, as crianças menores podem encobrir essa necessidade, esquecê-la ou jogar os comprimidos fora.
Uma sutil e discreta supervisão, feita por você, pode ser necessária, a fim de permitir que sua aluna tome a medicação exigida no momento certo.
Existem outros tipos de remédios que, de acordo com a gravidade da doença e com as reações da paciente, podem ser usados, alguns deles potencialmente perigosos - seu uso, portanto, exigirá cuidados acurados. Um deles, por exemplo é a cortisona, o que, entre outros efeitos ou riscos, torna sua aluna, dependendo da dose tomada, imunodeficiente.
Em outras palavras, certas doenças, que para as outras crianças apresentam quase nenhum risco, para ela serão altamente perigosas: a varicela (catapora), a rubéola, uma pneumonia, ou até mesmo uma gripe muito forte encontrarão a criança sem defesa alguma no organismo.
Você prestará uma ajuda incomensurável para evitar contato de sua aluna com artrite com crianças com qualquer outra doença infecto-contagiosa.

Splints
Splints, em inglês, significa órtese ou tala (como as talas para fraturas). Sua aluna pode, algumas vezes, necessitar usar splints, particularmente nos braços, punhos e mãos.
Além de ajudar a reduzir a dor, splints descansam as juntas inflamadas, mantendo-as numa posição apropriada, e auxiliam a prevenir ou corrigir deformidades.
Um splint pode gerar muita curiosidade entre seus alunos e isso pode perturbar a criança com artrite.
A melhor maneira de resolver esse problema é uma exposição simples e honesta à turma.
Os problemas da enfermidade de sua aluna deverão ser aceitos como de fato o são, e nunca parecer algo cercado de mistério.

Cirurgia
Algumas crianças com artrite em alto grau de severidade necessitam de cirurgia - para aliviar dores, corrigir certas deformidades da juntas e reparar danos causados às articulações pela doença.

Atividades
Quanto e quando?
Até onde não causar (ou aumentar) dor, qualquer atividade física é uma das melhores terapias para uma criança com artrite.
Exercícios adequados ou outro qualquer tipo de atividade podem dar a ela um precioso auxílio psicológico para sentir-se como mais um membro do grupo.
Isso também ajudará a reduzir e prevenir a inflamação nas juntas. Porém nós deveremos estar atentos para que ela não exceda suas possibilidades - pois neste caso, o efeito será negativo
Para lhe agradar e ganhar aceitação por parte da turma, algumas vezes ela pode se superar e, mesmo estando com as juntas inflamadas naquele momento, praticar atividades extenuantes, o que, nesse caso, será muito ruim para sua saúde.
Quando sua aluna estiver em crise, exercícios físicos podem resultar em danos irreversíveis às articulações, de modo que seus movimentos devem ser restritos.
Os pais da criança deverão avisá-la quando uma crise ocorrer, de modo que você possa ajudar limitando suas atividades físicas na classe e no recreio.
Lembre-se que, embora não apareça externamente, a dor, por si própria, pode estar incapacitando para certas atividades. Como regra geral, juntas que doem devem ser mantidas em descanso.
Por outro lado, a exigência para sua aluna participar das atividades em classe, na educação-física e no recreio deve estar de acordo com a orientação fornecida por seus pais e por seu médico.
Os pais da criança devem discutir essa orientação com você e tudo deve ficar bem claro - inclusive para a própria criança. Ela deverá ser encorajada a dizer suas próprias limitações na escola e, principalmente, a dizer, a você quando ela não estiver se sentindo bem.

Ela continua muito capaz
Nem a doença, nem a medicação ou outra terapia utilizada na artrite reumatóide juvenil diminuem a capacidade mental da criança.
Academicamente falando, sua aluna não tem nenhum problema para manter-se no mesmo nível da turma. Todavia ela pode ser fisicamente vagarosa, ou tornar-se cansada muito rapidamente, e cumprir certas tarefas em mais tempo do que o resto da turma.
Por exemplo, se ela está incapaz de andar ou pegar e seguir certos objetivos tão rápido e facilmente quanto os outros alunos, ela pode ter problemas em uma série de atividades diárias que todos nós fazemos automaticamente e sem dificuldade alguma.Exemplos: carregar livros e lancheiras; abrir portas; andar de uma sala para outra no espaço de tempo destinado à troca de salas; subir e descer escadas; dar descargas no toaletes; abrir torneiras; escrever rápido suficientemente para completar os testes durante o tempo determinado; trocar roupas e calçados; escrever no quadro negro; levantar a mão para fazer uma pergunta ou participar de discussões de grupo; permanecer em fila por longo tempo, etc.

Você pode ajudar:

Fisicamente

Desde que ficar sentado por tempo prolongado pode causar dor e piorar a rigidez, você pode prevenir isso chamando-a periodicamente para recolher alguns papéis.
Se ela estiver com dificuldade para andar e tiver que se descolar para outra classe longe da sua, você pode permitir que ela saia antes dos outros alunos a fim de permitir-lhe chegar à outra sala em tempo.
Nas escolas com mais de um andar, deverá lhe ser autorizado usar os elevadores, a fim de que as articulações das pernas não sejam forçadas sem necessidade.
Carregar livros pode ser um problema, porque o peso ocasiona um esforço que pode ser demasiado para as articulações do braço (cotovelo, punhos e dedos).
Uma solução para isso é a aluna manter um conjunto de livros em casa e uma duplicata na escola.
Quando qualquer material escolar pesado tiver que ser carregado, a solução pode estar numa boa mochila, até o ponto em que esta não cause problema no seu ombro e na sua coluna. O importante é entendermos que temos que imaginar um meio de distribuirmos o peso a ser carregado de tal forma que lhe evite esforços demasiados nas juntas ou coluna.
Sua aluna também pode beneficiar-se de período de descanso enquanto estiver na escola - por exemplo, durante as horas de estudo obrigatório na classe, quando for o caso.
Presumivelmente sua aluna com artrite poderá ter o que se chama osteoporose - uma rarefação óssea que a torna extremamente vulnerável a fratura no caso de uma queda, mesmo que pequena. Pior ainda é que a calcificação, se houver fratura, será penosamente difícil. Você será extremamente importante na medida em que, discretamente, tome medidas para evitar quedas, empurrões na escada, etc.

Emocionalmente
A auto-imagem de estudante (isto é, como ela se sente sobre si mesma) resulta em parte de como as outras pessoas as consideram.
Em sua idade, o que ela mais deseja é ser exatamente como suas colegas - mas a criança com Artrire Reumatóide Juvenil tem tudo para sentir-se diferente ou anormal, em virtude dos efeitos da doença no seu corpo e no seu estilo de vida. Muitos dos mais graves problemas emocionais de sua aluna tem por base as atitudes, em relação a si, de você e de seus coleguinhas de classe.
Como sua professora, você pode se encontrar como andando numa corda-bamba - tentando contrabalançar as necessidades especiais da criança com as exigências de ser tratada tão normal quanto possível.
Psicologicamente não é bom para a criança com artrite que, na escola, as professoras esperem menos dele do que de suas outras coleguinhas. Por causa disso, só modifique suas exigências em relação a ela quando for para ajudá-la a mantê-la no mesmo nível das outras. Não chame atenção desnecessariamente sobre suas limitações físicas.
Inclua-a em atividades que possam ser desenvolvidas por ela, sem despertar-lhe a atenção disso. Dependendo de como você contornar esse problema, você prestará uma grande ajuda, diminuindo ou evitando seu embaraço em frente aos coleguinhas e deixando-a mais confortavelmente na classe e no pátio.
Todas as crianças seguem muito a orientação de suas professoras. A sua explicação à sala de porque "Sandra" tropeça facilmente quando anda, ou porque "Rogério" tem que usar um splint, ou ainda porque "Maria" não pode ser empurrada numa escada, será um conforto e um estímulo para a criança e para seu melhor relacionamento com a turma.
Nunca esqueça: a artrite freqüentemente é devastadora para uma família. Além dos altos custos médicos e da responsabilidade pela fisioterapia em casa, os pais de sua aluna certamente enfrentam o medo de sua criança ficar inválida para o resto da vida. Você necessita estar ciente de que o stress psicológico na família de sua aluna pode causar perturbações nas atividades da criança e em seu procedimento na escola.

As Perspectivas
A Artrite Reumatóide Juvenil é um quebra-cabeças científico. Suas causas são desconhecidas e a razão de algumas pessoas terem artrite com alto grau de gravidade, enquanto outras com a mesma doença têm complicações discretas e moderadas, também é um mistério.
Todas as crianças e adolescentes com ARJ, inclusive aqueles cuja artrite é menos severa, devem ir regularmente ao oftalmologista para detectar tipo de inflamação que, se não constatada e tratada prontamente, pode causar até mesmo a cegueira.
Muitas outras complicações podem ser causadas pela artrite na infância, as quais os médicos estão sempre tentando preveni-las e controlá-las como, por exemplo, retardo no crescimento e problemas no coração, o que, se não convenientemente tratado pode conduzir ao êxito letal.
Embora a ARJ ainda não possa ser curada, um diagnóstico bem feito e um tratamento bem cuidadoso quase sempre podem controlar a doença a melhorar as perspectivas da vida de sua aluna.
Auxiliada por cuidados especializados, a maioria das crianças com artrite alcança a maioridade sem grandes danos nas juntas ou qualquer incapacidade física.
Mas não é fácil o impacto emocional da doença. Os anos de escola influenciam enormemente o desenvolvimento emocional da criança. Se ela for tratada - e se vê assim - como uma pessoa excepcional, como sendo diferente das outras, como uma criança doente, e não como uma pessoa normal, o efeito pode ser traumático e irreversível.
A perfeita compreensão do problema e seu estímulo pode fazer com que isso não aconteça. Que ela viva alegremente na escola como uma criança igual as outras com seus sonhos e suas esperanças intactas para o futuro.
Baseado em texto da Arthritis Foundation.
Crédito:
Serviço de Reumatologia Pediátrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

SÍNDROME DA FADIGA CRÔNICA:

SÍNDROME DA FADIGA CRÔNICA:

SÍNDROME DA FADIGA CRÔNICA:
Se você tem fadiga incapacitante, que apareceu inesperadamente, sem causa aparente, que resultou em redução ou perda de sua capacidade ocupacional, educacional, social, ou atividades pessoais, acompanhada por outros sintomas, entre os quais dor muscular, febre baixa, dor de cabeça e mal estar após exercícios.
Pense. Você pode ter SÎNDROME DA FADIGA CRONICA!!!!!

O que é Síndrome da fadiga crônica?
A síndrome da fadiga crônica é uma doença caracterizada pela presença de fadiga inexplicável, de duração maior que 6 meses, associado a sintomas como cefaléia (dor de cabeça), dores pelo corpo, dor nas articulações, distúrbio cognitivo (memória), distúrbio do sono, promovendo incrível incapacidade física ao paciente.
Quais os seus critérios diagnósticos?
Esses critérios foram estabelecidos em 1988 pelo CDC (Center for Disease Control, Atlanta-E.U.A.) e revisados em 1994, e incluem:
Critério principal:
Fadiga intensa que persiste por mais que 6 meses
Exclusão de outras doenças clínicas

Classificar como Síndrome da fadiga crônica indivíduos na presença de fadiga intensa de início definido, não aliviada pelo repouso, que resulta em uma redução substancial dos níveis de atividade física e quando presentes quatro ou mais sintomas a seguir:
  • Memória e concentração alteradas
  • Dor de garganta recorrente
  • Linfonodos cervicais e axilares dolorosos
  • Dor muscular
  • Dor articular
  • Cefaléia
  • Sono não reparador
  • Cansaço após exercícios
Fadiga crônica idiopática é classificada quando a intensidade da fadiga ou os sintomas associados não preencherem critérios para o diagnóstico da Síndrome da fadiga crônica.
A Síndrome da fadiga crônica é comum?
A fadiga crônica é uma condição muito comum na população geral. Estudos mostram que a queixa de fadiga como sintoma está presente em 21 a 38% de indivíduos ocidentais. Já a prevalência da síndrome da fadiga crônica, baseada nos critérios diagnósticos do CDC está em torno de 0,5% da população geral.
A fadiga crônica acomete ambos sexos?
Sim, 80% dos casos acometem o sexo feminino.
A fadiga é um sintoma comum de várias doenças?
Sim. A fadiga pode aparecer em uma série de doenças, entre elas, anemia, hipotireoidismo, fibromialgia, doenças reumáticas inflamatórias (lupus sistemico, artrite reumatoide e outras), doenças cardíacas ou pulmonares (por diminuir a taxa de oxigênio), distúrbios metabólicos (déficit de potássio), miastenia gravis, doença de Lyme e doenças virais (hepatite, toxoplasmose,vírus E,B., herpes, HIV e outras).
Quais as causas da Síndrome da fadiga crônica?
As causas desta doença ainda não estão suficientemente esclarecidas, porém em alguns casos parece haver relação com quadros infecciosos, tais como infecções virais entre elas influenza, Epstein-Barr, herpes, citomegalovirus, toxoplasma e chalmydia.
Na doença de Lyme, na hepatite viral, e na AIDS a fadiga é um sintoma proeminente.
Além das causas infecciosas, outras também são implicadas, como os distúrbios do sono, alterações hormonais, e imunológicas. Acredita-se também que a fadiga seja um sintoma presente em doenças neurológicas como a esclerose múltipla, distúrbios do sono, enxaqueca, doenças vasculares e degenerativas.

E comum à fadiga crônica ser acompanhada por desordens psiquiátricas e qual a importância do exame psicológico?
Não é incomum a doença surgir em períodos em que estão presentes desordens afetivas, como ansiedade e depressão.
O exame psicológico e necessário em todos os casos. Mais de 30% dos pacientes fadigados apresentam problemas apenas na esfera psicológica. Por outro lado, a depressão pode acompanhar a síndrome da fadiga crônica desde o seu inicio ou se manifestar em decorrência da fadiga.

A Síndrome da fadiga crônica tem cura?
A Síndrome da fadiga crônica não tem cura, no entanto, se a causa da fadiga for originada de uma situação transitória, a evolução poderá ser boa.
Como a síndrome da fadiga crônica deve ser tratada?
Não existe um tratamento especifico, sendo essencial esclarecer o paciente e os familiares a respeito desta síndrome. O tratamento da fadiga depende das causas envolvidas, e se inicia no seu diagnóstico. É importante excluir causas endocrinológicas (como o hipotireodismo), doenças clínicas (como a anemia, insuficiência cardíaca, doença respiratória crônica e infecções).
A terapia farmacológica é importante. São utilizados entre outros analgésicos, antinflamatórios, antidepressivos, antivirais, magnésio, imunomoduladores e anti-histamínicos. Outras medidas como alimentação balanceada, acompanhamento psicológico (terapia cognitivo-comportamental) e exercícios aeróbicos são benéficos.

Qual é a evolução e prognóstico da Síndrome da fadiga crônica?
O prognóstico da síndrome da fadiga crônica não é muito animador, apenas 10% dos indivíduos afetados se recuperam ao longo do tempo, no entanto o diagnóstico e tratamento tendem a serem aprimorados.
Existe relação entre Síndrome da fadiga crônica e enxaqueca?
Sim. Essas duas entidades estão relacionadas. Estudos realizados por pesquisadores Brasileiros e Americanos mostraram que a queixa de fadiga foi relatada por 85% dos pacientes com enxaqueca crônica (dor de cabeça diária ou quase diária), sendo que 65% dos mesmos preencheram os critérios diagnósticos para a Síndrome da fadiga crônica. A intensidade dos sintomas de fadiga foram correlacionados com a presença de depressão e ansiedade.
As mulheres apresentaram maior intensidade dos sintomas de fadiga, e o subtipo fadiga física se correlacionou com o diagnóstico de fibromialgia.



Lúpus Eritematoso Sistêmico Juvenil (LESJ)

Lúpus Eritematoso Sistêmico Juvenil (LESJ)


1. O que é o Lúpus Eritematoso Sistêmico Juvenil (LESJ)?
O Lúpus Eritematoso Sistêmico Juvenil (LESJ) é uma doença autoimune caracterizada por uma inflamação generalizada crônica e difusa em todo o corpo. A depender do paciente, há possibilidade de acometimento de alguns ou vários órgãos e sistemas do corpo, tais como: pele, articulações, rins, sangue, coração, pulmões, sistema nervoso, sangue, vasos, entre outros. Este pode afetar qualquer órgão do corpo. Porém, as manifestações clínicas iniciais mais freqüentes do LESJ compreendem febre prolongada, falta de apetite, perda de peso, comprometimentos articular, da pele e dos rins. Caracteristicamente, o LESJ inicia sempre até os 16 anos de idade.

2. É uma doença freqüente?
O LESJ é a terceira doença mais freqüente nos nossos ambulatórios de Reumatologia Pediátrica, seguido pela febre reumática e artrite idiopática juvenil. A real incidência de LESJ é desconhecida em nosso país. Dados provenientes de países da América do Norte, Europa e Japão indicam que cerca de 0,3 a 7,0 em cada 100.000 crianças e adolescentes têm essa doença. Há um predomínio do sexo feminino, em todas as faixas etárias, sendo que após a adolescência é de 8,0 a 13 vezes mais freqüente no sexo feminino.

3. O que causa o Lúpus Eritematoso Sistêmico Juvenil (LESJ)?
A causa exata da LESJ ainda não é conhecida. Fatores desencadeantes hormonais (estrógeno), imunológicos, genéticos, infecciosos (vírus, bactérias, etc), emocionais, medicamentos (como anticonvulsivantes, hidralazina, isoniazida, etc) e ambientais (luz ultravioleta) podem estar envolvidos.
Acredita-se que um componente genético predispõe o indivíduo a responder inadequadamente e exacerbadamente aos fatores desencadeantes. Como conseqüência, o indivíduo produz anticorpos direcionados contra seus próprios tecidos (os auto-anticorpos, como anti-DNA, anticorpos anti-fosfolípides, etc), por isto esta é conhecida como uma doença autoimune. Esses autoanticorpos vão se depositando em vários órgãos e com o evoluir da doença pode haver um progressivo comprometimento da sua função.
O Lúpus não é uma doença infecto-contagiosa e os pacientes podem (e devem) freqüentar normalmente creches, escolas, clubes, danceterias e piscinas quando a doença estiver controlada.

4. Há diferenças entre o Lúpus Eritematoso Sistêmico da criança ou adolescente e do adulto?
O lúpus da criança e do adolescente, embora seja mais raro, embora seja mais raro, apresenta basicamente as mesmas características do lúpus do adulto. Do total de pacientes com Lúpus, 20% se encontram na faixa etária pediátrica (até 16 anos) enquanto 80% manifestam a doença após os 17 anos.
A principal diferença entre a doença do adulto e a juvenil se dá no comprometimento renal, mais freqüente e com formas mais graves na forma juvenil. Os critérios diagnósticos utilizados para o LESJ são os mesmos e o tratamento bastante similar ao adulto, com ênfase nas vacinações e no acompanhamento do crescimento e desenvolvimento da criança e adolescente.

5. Como se diagnostica a doença?
O diagnóstico do LESJ baseia-se nos critérios estabelecidos pelo Colégio Americano de Reumatologia de 1997 (Tabela 1). Para o diagnóstico de LESJ é necessária a presença de quatro ou mais dos 11 critérios. Estes critérios podem aparecer todos ao mesmo tempo ou demorar alguns meses para o diagnóstico definitivo da doença (em média de 4 meses).
Ainda existem poucos exames laboratoriais específicos para esta doença. Nos casos de dúvida diagnóstica, a opinião e o seguimento com um especialista podem ser de grande auxílio.

Tabela 1 - Critérios para classificação do Lúpus Eritematoso Sistêmico do Colégio Americano de Reumatologia (Hochberg et al, 1997)

Critérios
1. Eritema malar
2. Eritema discóide
3. Fotossensibilidade
4. Úlcera de mucosa oral ou nasal
5. Artrite não erosiva
6. Serosites (pleurite e/ou pericardite)
7. Alterações renais (proteinúria superior a 500 mg/dia e/ou presença de cilindrúria)
8. Alterações neurológicas (convulsão e/ou psicose na ausência de distúrbios metabólicos, hipertensão arterial ou infecções)
9. Alterações hematológicas [anemia hemolítica com reticulocitose e/ou leucopenia (menos que 4.000/mm 3) e/ou linfopenia (menos que 1.500/mm 3) e/ou plaquetopenia (menos que 100.000/ mm 3), em duas ou mais ocasiões]
10. Alterações imunológicas [presença de anticorpos anti-fosfolípides (anti-
cardiolipina IgM ou IgG e/ou anti-coagulante lúpico e/ou reações sorológicas
falsamente positivas para sífilis) e/ou anticorpo anti-DNA e/ou anticorpo anti-Sm]
11. FAN positivo

6. Quais as manifestações, os órgãos e os sistemas mais acometidos no Lúpus Eritematoso Sistêmico Juvenil (LESJ)?
A característica principal do LESJ é o acometimento de múltiplos órgãos e sistemas, com várias formas de apresentação. Portanto, cada caso é único e deve ser individualizado. O início dos sintomas pode ocorrer vagarosamente ou se apresentar já nas primeiras semanas da doença com manifestações clínicas súbitas e graves, com qualquer órgão acometido. É uma doença de evolução imprevisível, possui caráter crônico com períodos de remissão e exacerbação das manifestações clínicas.
As principais manifestações clínicas iniciais do LESJ compreendem febre prolongada, redução do apetite, perda de peso, comprometimentos articular, da pele e dos rins.
A febre ocorre em ate 60% dos casos, podendo ter qualquer padrão de temperatura: alta (com temperatura acima de 39 o C) ou baixa (em torno de 38 o C), intermitente ou contínua, sendo uma manifestação inespecífica de doença sistêmica. Durante o curso do LESJ, a febre tende a aparecer nas reativações ou durante os processos infecciosos. A perda de peso pode ocorrer em até 40% dos pacientes.
Adenomegalia (gânglios ou ínguas aumentados) localizada ou generalizada ocorre em até 50% dos pacientes. Hepatomegalia (aumento do fígado) e esplenomegalia (aumento do baço) discretas a moderadas estão presentes por volta de 30 a 40% dos casos. A icterícia (olhos e pele amareladas) é um achado raro e associa-se habitualmente com a presença de anemia hemolítica.
Os comprometimentos das articulações, músculos e ossos são vistos em até 88% dos casos com LESJ. Habitualmente, os pacientes apresentam dores articulares ou artrites (dor, inchaço, calor e limitação), podendo envolver articulações dos joelhos, tornozelos, punhos, mãos, pés, entre outras. Inflamação nos músculos (miosite, com fraqueza muscular) pode ocorrer nos períodos de atividade da doença. Necrose avascular, principalmente nos ossos de sustentação (fêmur e tíbia), pode ocorrer em pacientes com LESJ, secundária à atividade da doença ou como complicação do tratamento prolongado com corticosteróide.
As lesões cutâneas (pele e mucosa) no LESJ podem se apresentar de diversas formas incluindo eritema (mancha vermelha) malar, úlceras de mucosa (boca e nariz), púrpura palpável, urticária, eritema polimorfo, eritema palmo-plantar, pequenos infartos digitais, livedo reticular, nódulos, lúpus discóide e lesões bolhosas. O eritema malar em asa de borboleta, apesar de altamente sugestivo de LES, não é específico, podendo ocorrer em outras condições como reações a drogas, dermatomiosite juvenil, dermatite seborréica e acne rosácea. O eritema desencadeado ou exacerbado pela exposição solar (fotossensibilidade) é encontrado em cerca de 50% dos pacientes, habitualmente localizado em face, braços pescoço e pernas.
No lúpus discóide, as lesões são crônicas e iniciam como placas ou pápulas eritematosas cobertas com escamas aderentes. Com a progressão, as escamas se tornam grossas e podem desenvolver atrofias e cicatrizes, com lesões esbranquiçadas ou escuras. Há uma predileção pelo couro cabeludo, face e orelhas. O lúpus discóide ocorre em 20% dos pacientes com LESJ.
O envolvimento renal (nefrite) no LESJ é precoce, geralmente nos primeiros dois anos da doença, e bastante freqüente ocorrendo em 70 a 100% dos pacientes. As alterações no exame de urina são variadas podendo ocorrer sangramento e/ou perda importante de leucócitos e proteínas (hematúria, leucocitúria ou proteinúria). Os pacientes podem também apresentar hipertensão arterial, inchaço e insuficiência renal. A biópsia renal é indicada nos pacientes com manifestações clínicas da doença renal e/ou alterações laboratoriais persistentes e/ou graves, para individualizar o tipo da nefrite e propor tratamento específico.
Os envolvimentos do sistema nervoso e psiquiátrico ocorrem em até 50% das crianças e adolescentes com LESJ. As manifestações clínicas mais freqüentes são: dor de cabeça de forte intensidade (como enxaqueca), convulsão, distúrbios do comportamento (alucinações, depressão, etc) , raramente derrame (acidente vásculo-cerebral - AVC) e coma.
O comprometimento hematológico (do sangue) no LESJ pode-se manifestar com plaquetopenia (redução das plaquetas), anemia hemolítica (redução por destruição das hemácias), leucopenia (redução dos leucócitos) e linfopenia (redução dos linfócitos). O hemograma com plaquetas, dosagem de reticulócitos e a pesquisa do Coombs são necessários para avaliar este comprometimento. Estas manifestações podem iniciar o LESJ ou se apresentarem durante a evolução da doença. A plaquetopenia pode cursar com sangramentos locais (como sangramento na pele, nariz, boca, etc) ou generalizados e a anemia hemolítica com palidez e icterícia (olhos amarelados). A presença de leucopenia e linfopenia um maior risco de infecções.
A presença de trombose na perna (trombose venosa profunda) ou no sistema nervoso (derrame ou AVC) pode estar também associada com LESJ. Estes pacientes podem apresentar os anticorpos antifosfolípides no sangue (anti-cardiolipina IgM ou IgG e/ou anti-coagulante lúpico). Nestes pacientes, a associação de trombose com a presença de anticorpos anti-fosfolípides caracteriza a síndrome do anticorpo anti-fosfolípide.
O comprometimento dos pulmões no LESJ é geralmente inicial, ocorrendo em até 50% dos pacientes. As manifestações da doença pulmonar lúpica são pleurite (com ou sem líquido na pleura), e raramente pneumonite intersticial, hipertensão pulmonar e hemorragia pulmonar. Pleurite (inflamação da menbrana que recobre o pulmão) e derrame pleural (líquido na pleura) são as manifestações mais comuns do LESJ na infância, com uma freqüência entre 10 e 37%. O comprometimento pleural geralmente é assintomático ou simplesmente um achado radiológico. O derrame pleural é usualmente pequeno e evidenciado em um pulmão, devendo ser excluídas causas infecciosas.
O envolvimento do coração ocorre em até 50% dos casos, sendo a anormalidade mais freqüente a pericardite (inflamação da menbrana que recobre o coração), que ocorre em 12 a 40% dos pacientes. A pericardite é geralmente assintomática. As manifestações clínicas desta incluem: dor no peito que piora com a posição e/ou taquipnéia (respiração rápida) e/ou taquicardia (batedeira).

7. Qual o tratamento do Lúpus Eritematoso Sistêmico Juvenil?
Uma boa relação entre médico, paciente e familiares é importante para o sucesso desse tratamento, uma vez que a sua duração é prolongada. Este deve ser sempre individualizado e é fundamental a educação sobre a doença e bons hábitos de vida.
A nutrição deve ser balanceada com restrição de sal para os hipertensos e pacientes em uso de corticosteróides, e restrição de sal e proteína para os pacientes em insuficiência renal. Os esportes e atividades de lazer são indicados sempre que a doença estiver controlada.
O protetor solar que bloqueia os raios ultravioletas A e B (UVA e UVB), com Fator de Proteção Solar (FPS) igual ou superior a 15, deve ser indicado em todos os pacientes e aplicados 30 minutos antes da exposição solar, mesmo em dias nublados, com reaplicação após 4 horas. As lâmpadas fosforescentes, com emissão de UVB, presentes nas residências e escolas, também emitem raios ultravioletas. Os pacientes devem também evitar a exposição solar entre as 10 e 16 horas e se forem à piscina ou praia devem ser estimulados uso de boné, guarda-sol e FPS administrado a cada hora em todo corpo.
Os corticosteróides (como prednisona e prednisolona) e os anti-maláricos são os medicamentos iniciais de escolha para uso em pacientes com LESJ. A prednisona é utilizada na dose inicial de 1 a 2 mg/Kg/dia. Doses altas (1 a 2 mg/Kg/dia) são utilizadas preferencialmente no controle da crise aguda inicial, envolvimento do sistema nervoso, anemia hemolítica e nefrite. Baixas doses de prednisona (menor ou igual a 0,5 mg/Kg/dia) são indicadas no controle da febre, comprometimento da pele, artrite, pericardite e pleurite. Em crianças com impossibilidade de fazer uso da medicação por via oral, poderá utilizar-se corticosteróides injetáveis (hidrocortisona ou metilprednisolona), em dose equivalente a prednisona, por injeção intramuscular ou endovenosa.
Os corticosteróides não devem ser suspensos ou reduzidos sem orientação médica, sob risco de graves complicações. Recomenda-se evitar o uso excessivo de sal e restringir a ingestão de alimentos calóricos. Os efeitos colaterais dos corticosteróides mais freqüentes em crianças com LESJ incluem: face em lua cheia, obesidade, estrias, aumento dos pêlos, infecções, catarata, parada do crescimento, úlcera do estômago, hipertensão arterial e osteoporose. Deve-se suplementar cálcio e vitamina D, reduzindo a osteoporose e as suas complicações a médio e longo prazo.
A pulsoterapia endovenosa com metilprednisolona é utilizada em situações de gravidade no LESJ, tais como: nefrite grave, envolvimento grave do sistema nervoso central ou psiquiátrico, alterações no sangue (plaquetopenia e anemia hemolítica) e hemorragia pulmonar. Os efeitos colaterais mais freqüentes incluem: hipertensão arterial, risco de infecções e manifestações vasomotoras transitórias (como visão embaçada e intensificação do vermelhão na face). Outra indicação da pulsoterapia seria para poupar ou reduzir o uso de doses altas de corticosteróide por via oral.
O tratamento local (da pele) com corticosteróide está indicado no lúpus discóide e lesões vasculíticas no LESJ. Os corticosteróides tópicos não fluorados, como hidrocortisona a 1%, são aplicados 1 a 3 vezes ao dia, diretamente na lesão em média por duas semanas. Acetonide de triamcinolona em forma de pasta dental emoliente (Orabase) pode ser usado nas feridas na boca, nariz e lábio 2 a 3 vezes ao dia.
Os anti-maláricos (difosfato de cloroquina ou sulfato de hidroxicloroquina) devem ser utilizados, preferencialmente, em todos os casos de LESJ. Estes têm mostrado boa resposta no controle da atividade da doença, reduzindo os anticorpos anti-fosfolípides, melhorando também a fotossensibilidade apresentada por esses pacientes, além de funcionar como imunomodulador, auxiliar na redução do colesterol e das doses dos corticosteróides.
Os antiinflamatórios não hormonais são usados no controle das artrites e miosites, particularmente o naproxeno. O Ibuprofeno é um antiinflamatório não hormonal que pode causar reação de hipersensibilidade e meningite asséptica e não deve ser utilizado em pacientes com LESJ.
Outros medicamentos podem ser utilizados no controle dos pacientes com LESJ, habitualmente os que não respondem aos corticosteróides e anti-maláricos, e variam de acordo com o órgão ou sistema envolvido. As medicações mais utilizadas são: pulsoterapia endovenosa com ciclofosfamida, metotrexate, azatioprina, micofenolato mofetil, ciclosporina, talidomida, dapsona, rituximabe (anti-CD20), entre outros. Nos pacientes internados e em situações de gravidade clínica pode-se utilizar a gamaglobulina endovenosa e/ou plasmaferese.
A pulsoterapia endovenosa com ciclofosfamida é realizada em pacientes com LESJ, em enfermarias de leito dia ou internados, habitualmente com sete infusões mensais e manutenção com 10 infusões trimestral (total de 36 meses). Este medicamento é indicado nas nefrites graves (cuja biópsia do rim evidenciou formas proliferativa focal, difusa ou membranosa), envolvimento do sistema nervoso central ou psiquiátrico grave, alterações no sangue (plaquetopenia e anemia hemolítica), hemorragia pulmonar, entre outros. Antes, no momento e após a infusão recomenda-se a ingestão de líquidos. Os efeitos colaterais mais freqüentes incluem: enjôos, vômitos e hipertensão arterial. Outros são raramente vistos, como: cistite hemorrágica (inflamação com sangramento da bexiga), infertilidade e risco de câncer futuro.
O tratamento da síndrome do anticorpo anti-fosfolípide inclui anti-coagulantes (heparina e warfarin) que habitualmente são utilizados por um período muito prolongado ou a vida inteira. O uso de aspirina em doses baixas (3 a 5 mg/Kg/dia) é indicado nos casos com presença dos anticorpos anti-fosfolípides persistentemente sem comprometimento clínico (trombose).
O uso de um ou mais medicamentos implica em um seguimento cuidadoso e periódico, com consultas e exames laboratoriais seriados, com o objetivo de avaliar a inflamação, detectar e tratar possíveis eventos adversos.
Deve-se evitar a aplicação de vacinas de vírus vivos em pacientes em uso de corticosteróides e imunossupressores. Converse sempre com o seu médico antes de administrar vacinas no seu filho. Em caso de suspeita de infecção, o seu médico deve ser sempre consultado imediatamente.

8. Quanto tempo dura o tratamento do Lúpus Eritematoso Sistêmico Juvenil (LESJ)?
É muito variado e depende do órgão ou sistema acometido. Habitualmente, o tratamento continua até o final da adolescência, devendo ser utilizadas doses mínimas ou mesmo a suspensão dos corticosteróides (como a prednisona e prednisolona). No entanto, alguns casos podem apresentar doença crônica com períodos de melhora e piora que persistem até a vida adulta. Nestes pacientes deve ser feita uma transição lenta para o reumatologista de adultos, geralmente entre 17 e 20 anos.
O uso de álcool e fumo deve ser evitado. Muitos adolescentes são “inconformados ou rebeldes” ao tratamento e devem ser conscientizados quanto à importância do uso contínuo de medicamentos pelo risco de óbito na suspensão destes. A responsabilidade, que sempre é dos pais ou responsáveis até os 18 anos de idade, deve ser transferida gradualmente ao paciente de maneira firme e segura.

9. O que pode acontecer se o tratamento para o Lúpus Eritematoso Sistêmico Juvenil (LESJ) for interrompido?
A interrupção do tratamento sem orientação médica pode ter conseqüências sérias e irreversíveis, como piora importante da doença e risco de óbito. Os pais devem checar a ingestão dos medicamentos e conversar com os filhos sobre a doença, reforçando a importância do tratamento, especialmente nos casos de pacientes adolescentes “inconformados ou rebeldes”.

10. Como é a sexualidade e fertilidade dos adolescentes com Lúpus Eritematoso Sistêmico Juvenil (LESJ)?
A sexualidade do homem e mulher e a fertilidade da mulher (capacidade futura de ter filhos) são habitualmente normais. A primeira menstruação (menarca) e a primeira ejaculação (espermarca) nos pacientes com LESJ podem demorar um pouco a aparecer, mas elas vêm normalmente entre 12 e 15 anos.
Atividade sexual deve ser sempre realizada com preservativos (camisinha masculina ou feminina), em todas as relações. Os preservativos evitam a gravidez e as doenças sexualmente transmissíveis (como a AIDS, gonorréia, sífilis, cancro, etc). Lembrar sempre de checar a validade da camisinha, usar adequadamente no pênis ereto e cada camisinha em uma única vez. Nas jovens que mantém atividades sexuais freqüentes deve ser utilizado o anticoncepcional com progesterona. Este deve ser sempre orientado por seu reumatologista pediátrico e/ou ginecologista.

11. Como é a evolução dos pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico Juvenil (LESJ)?
Com o diagnóstico precoce e uma abordagem terapêutica mais eficiente, a evolução do paciente com LESJ melhorou muito e as crianças estão se tornando adolescentes e adultos com boa qualidade de vida física e mental.
Sentimentos como tristeza, mágoa, culpa e raiva são freqüentes nas crianças e adoslecentes com LESJ. O diálogo com o médico permite que pacientes e familiares expressem seus sentimentos e medos em relação à doença e aos medicamentos utilizados. Em casos de angústias maiores pode ser necessário acomapnhamento com psicólogo ou psiquitra.
Hoje, um paciente com LESJ tratdo adequadamente tem grande possíbidade de se tornar um adulto portador de uma doença crônica controlada. Como todo ser humano, este precisará ser estimulado a estudar, ter sua futura profissão e constituir sua própria família.

O que é hipertensão pulmonar?


O que é hipertensão pulmonar?


HIPERTENSãO PULMONAR
O que é hipertensão pulmonar?

Hipertensão pulmonar é a elevação da pressão sangüínea nas artérias que levam o sangue do lado direito do coração para os pulmões. Este sistema de vasos sangüíneos nos pulmões é chamado circulação pulmonar; está separado do sistema de vasos sangüíneos no restante do organismo, que é chamado circulação sistêmica. A pressão dentro dos vasos sangüíneos pode estar elevada na circulação pulmonar e estar normal na circulação sistêmica, e vice-versa. Quando os médicos medem a pressão nos nossos braços, estão medindo a pressão da circulação sistêmica. Quando a pressão sangüínea dentro das artérias pulmonares está elevada, o ventrículo direito tem de bombear sangue com maior força para levar o sangue para dentro dos pulmões a fim de captar oxigênio.
Que tipos de hipertensão pulmonar podem ocorrer na esclerose sistêmica?

Existem dois cenários para a hipertensão pulmonar na esclerose sistêmica, ou seja, isolada ou associada à doença pulmonar intersticial. Pacientes com esclerose sistêmica limitada (sem espessamento de pele em tronco e raízes dos membros) estão mais propensos a desenvolver hipertensão pulmonar não associada à doença pulmonar intersticial. Não está ainda bem estabelecida a causa exata da hipertensão pulmonar neste grupo de pacientes, embora deva estar associada aos mesmos processos que causam danos aos pequenos vasos sangüíneos da circulação sistêmica. As células endoteliais dos vasos sangüíneos são danificadas e levam à excessiva produção de fibras colágenas e sua deposição nas paredes dos vasos sangüíneos. Este processo leva à rigidez dos vasos sangüíneos, e os músculos que auxiliam na constrição dos vasos sangüíneos podem se hipertrofiar, acarretando uma constrição excessiva. Outros pacientes têm hipertensão pulmonar porque apresentam significativa fibrose pulmonar. A fibrose pulmonar reduz o nível de oxigênio no sangue, o que, por sua vez, pode causar um aumento reflexo da pressão sangüínea na circulação pulmonar.
Quais são os sintomas da hipertensão pulmonar?

Pacientes com hipertensão pulmonar leve podem não apresentar sintomas. Pacientes com hipertensão pulmonar moderada ou grave geralmente se queixam de "respiração curta" (falta de ar), especialmente após exercícios. Pacientes também podem apresentar dores torácicas atípicas e sintomas de insuficiência cardíaca direita. A insuficiência cardíaca direita ocorrerá quando as contrações musculares do ventrículo direito não mais forem fortes o suficiente para bombear sangue através das altas pressões observadas nas rígidas e espessadas artérias pulmonares. A musculatura do ventrículo direito se torna mais espessa, e a seguir dilata-se à medida que o coração vai entrando em falência. O sangue que normalmente seria bombeado do lado direito do coração para dentro dos pulmões então retornaria para o resto do corpo. O paciente então passaria a apresentar piora da falta de ar, associado a edema dos pés, do abdome e das veias do pescoço.
Que testes diagnósticos devem ser realizados na hipertensão pulmonar?

Indícios de que possa ocorrer hipertensão pulmonar podem ser captados pelo médico se o paciente apresenta uma história de falta de ar e através dos sinais físicos de que o coração direito possa estar trabalhando mais do que o normal. Contudo, as alterações ao exame físico cardíaco não são sensíveis o suficiente para estabelecer o diagnóstico definitivo de hipertensão pulmonar. Um indício laboratorial de que o paciente possa estar com hipertensão pulmonar é uma redução na capacidade de difusão de monóxido de carbono na prova de função pulmonar. A capacidade de difusão mede a habilidade do gás se mover a partir do ar, através do tecido pulmonar e da parede dos vasos sangüíneos, para o sangue. Se a capacidade de difusão é menor que 50% do seu valor preditivo, é um forte indício de que possa haver hipertensão pulmonar. O teste mais comumente usado para diagnosticar hipertensão pulmonar é o ecocardiograma. Este pode estimar com segurança a pressão na artéria pulmonar, de uma forma não invasiva. Algumas vezes, o médico pode solicitar um cateterismo cardíaco para medir a exata pressão das artérias pulmonares. Este teste invasivo deverá ser realizado caso o seu resultado for mudar o tratamento que o paciente deverá receber. Em muitos pacientes, está claro que há hipertensão pulmonar, e o tratamento deve ser instituído sem a necessidade do paciente realizar um cateterismo cardíaco.
Qual é o curso natural da hipertensão pulmonar na esclerose sistêmica?

Foi somente nos últimos anos que o ecocardiograma passou a ser amplamente utilizado para identificar pacientes esclerodérmicos com hipertensão pulmonar leve ou moderada. O curso natural da hipertensão pulmonar leve ou moderada nos pacientes esclerodérmicos ainda é desconhecido. É possível que a hipertensão pulmonar leve ou moderada possa permanecer inalterada por longos períodos de tempo. Contudo, se um paciente desenvolve insuficiência cardíaca direita devido à hipertensão pulmonar, então há um risco elevado de óbito.
Qual é o tratamento da hipertensão pulmonar?

Primeiro, é necessário que o médico determine se a hipertensão pulmonar está ou não associada à doença pulmonar intersticial. Testes de função pulmonar são úteis. Se existe dúvida quanto à atividade inflamatória nos pulmões (que pode piorar a doença pulmonar intersticial), então o médico deve solicitar um estudo do lavado broncoalveolar para confirmar se a inflamação pulmonar está presente. Se a inflamação pulmonar estiver presente, o médico deve tratá-la para prevenir a piora da hipertensão pulmonar.
Em pacientes com hipertensão pulmonar não associada à esclerose sistêmica, dois tratamentos têm apresentado uma maior sobrevida: oxigenioterapia e anticoagulação. Os níveis de oxigênio ao repouso e após exercício devem ser pesquisados; se estiverem baixos, a oxigenioterapia domiciliar deverá ser iniciada. A decisão de iniciar uma anticoagulação deve ser realizada de comum acordo entre cada paciente e seu médico. Se ocorre insuficiência cardíaca direita, uma variedade de medicamentos pode ser utilizada. Freqüentemente, bloqueadores de canais de cálcio são utilizados para promover dilatação das artérias pulmonares a fim de diminuir a pressão sangüínea nos pulmões e tornar mais fácil o trabalho de bombeamento do coração direito. Diuréticos podem ser usados para remover o edema gerado pela insuficiência cardíaca direita. Tratamentos experimentais estão sendo testados na hipertensão pulmonar. Atualmente, um trabalho de pesquisa está avaliando os efeitos de uma droga chamada prostaciclina sobre a hipertensão pulmonar na esclerose sistêmica. Caso esta droga se comprove melhor que o placebo na diminuição da pressão pulmonar, poderá tornar-se disponível para outros pacientes com esclerose sistêmica. Se a hipertensão pulmonar tornar-se muito grave, com risco de vida, deve-se considerar a possibilidade da realização de um transplante de pulmões.


Panfleto da Scleroderma Foundation, elaborado com o auxílio da Dra. Barbara White (University of Maryland, Baltimore – EUA); tradução do Dr. Percival D. Sampaio-Barros (UNICAMP).

Doença de crohn e retocolite ulcerativa inespecífica

DOENÇA DE CROHN E
RETOCOLITE ULCERATIVA INESPECÍFICA

QUAL A DIFERENÇA ENTRE COLITE ULCERATIVA E DOENÇA DE CROHN?

Doença de Crohn e colite ulcerativa são dois tipos de doenças inflamatórias do intestino
Na colite ulcerativa acontece um processo inflamatório envolvendo a mucosa (camada mais superficial) do intestino grosso , geralmente difusa , comprometendo grandes segmentos ou apenas o reto (porção terminal do intestino grosso).
Na doença de Crohn o segmento comprometido é pequeno e envolve todas as camadas da parede intestinal.
Outra diferença é que a doença de Crohn pode acometer qualquer segmento do aparelho digestivo , desde a boca até o ânus e a colite ulcerativa , apenas o colon (intestino grosso).
Na imagem acima observa-se em (1): aumento dos linfonodos (íngua); (2): estreitamento da luz do intestino (estenose); (3) lesões aftóides (aftas)

QUAL A DIFERENÇA ENTRE A DOENÇA INFLAMATÓRIA INESPECÍFICA E A SÍNDROME DO COLON IRRITÁVEL ( COLON ESPÁSTICO) ?

A doença inflamatória pode levar ao sangramento intestinal , febre, alteração no exame de sangue com aumento dos leucócitos , diarréia e cólicas . As alterações causadas pelo processo inflamatório podem ser visualizados através de exames radiológicos ou endoscopia ( colonoscopia ). Síndrome do cólon irritável é um conjunto de sintomas resultantes do espasmo (contração) ou funcionamento anormal da motilidade do intestino. O síndrome do cólon irritável é caracterizado pela presença de cólicas , diarréia e/ou obstipação , mas nunca febre , sangramento ou alterações no exame de sangue. Exames radiológicos ou colonoscopia se mostram dentro da normalidade.

QUAL A CAUSA DA DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL?

Não existe uma única explicação para o aparecimento. Existem várias teorias tentando explicar a doença. A mais aceita atualmente é de que um provável processo viral , bacteriano ou alérgico, inicialmente acomete o intestino levando a um processo inflamatório. Este processo em combinação com uma predisposição genética levaria ao desenvolvimento de anti-corpos que iriam contra o próprio intestino , cronicamente tentando destruí-lo. Aproximadamente 10 % das pessoas com doença inflamatória intestinal tem parentes próximos com a mesma doença.

O ESTRESS TEM ALGUMA IMPLICAÇÃO COM A DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL?

Estress emocional devido a problemas familiares, no trabalho ou sociais, podem Ter como resultante uma piora do quadro do síndrome do colon irritável, porém há poucas evidências de que o estress é uma causa imperativa na doença inflamatória inespecífica do intestino.

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DA DOENÇA INFLAMATÓRIO INTESTINAL?

Exame do intestino grosso através da colonoscopia (endoscopia do intestino) . Através deste exame consegue-se avaliar a extensão e o grau de acometimento tanto da doença de Crohn como da retocolite ulcerativa inespecífica. O exame requer um preparo especial com vários laxativos para que o intestino fique totalmente limpo permitindo um exame minuncioso da mucosa (pele que reveste o intestino). No momento do exame é realizada uma sedação com medicação especial para que você adormeça e não sinta nada durante o exame.

A fotografia ao acima foi tirada durante uma exame endoscópico quandol foi diagnosticado retocolite ulcerativa inespecífica.

Um tubo flexível é introduzido através do reto até a porção inicial do intestino grosso. Geralmente são realizadas biópsias para determinar o estágio ou o tipo da doença . Fotografias também são tiradas durante o exame para documentação e comparação com exames futuros ou anteriores.
No caso da doença de Crohn em que há acometimento do intestino delgado , exames de RX são necessários. Nestes exames , o paciente ingere um líquido espesso , esbranquiçado , lembrando giz em sua coloração que é radiopaco (aparece no RX). Após ingerido o líquido são feitas inúmeras chapas para acompanhar o líquido até a sua chegada no intestino grosso.

QUAIS SÃO AS COMPLICAÇÕES DA DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL ?

A colite ulcerativa pode cursar com sangramento crônico, diarréia e anemia. A doença de Crohn algumas vezes pode resultar em um estreitamento progressivo do intestino delgado levando a um aumento da dor tipo cólica e ainda formação de abcessos intra-abdominais. Doença de Crohn geralmente evolui com diarréia crônica, febre e sangramento.

QUAL O TRATAMENTO PARA DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL?

Existem várias medicações atualmente disponíveis no mercado. Geralmente o tratamento é demorado e requer mudar várias vezes a medicação ou a sua dosagem até que o paciente melhore. As vias e formas de apresentação das medicações variam muito. Não existe cura para doença inflamatória intestinal – a doença apresenta períodos de acalmia ( aparente cura) . Estes períodos não são possíveis de se determinar podendo ser de dias, meses ou anos e dependem de cada indivíduo.

É IMPORTANTE A DIETA EM PACIENTES COM D.INFLAMATÓRIA INTESTINAL?

Basicamente os pacientes devem se manter bem nutridos. Se você está respondendo bem as medicações , pode se alimentar normalmente sem restrições. Aos pacientes que tem diarréia após as refeições, recomenda-se diminuir a quantidade de fibras. Se você é sensível ao leite ( intolerância a lactose) , recomenda-se evitar o leite e seus derivados.

QUAIS OS RESULTADOS ESPERADOS DO TRATAMENTO?

Tratamento precoce e com a medicação correta geralmente levam a uma melhora importante aliviando os sintomas . A maioria dos pacientes portadores de doença inflamatória intestinal são produtivos e têm uma vida normal. Uma pequena porcentagem de pacientes com colite ulcerativa e uma porcentagem maior de pacientes com D. de Crohn eventualmente vão precisar de uma cirurgia.

QUAIS AS OPÇÕES CIRÚRGICAS PARA DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL?

Na doença de Crohn a cirurgia se restringe a resolver a complicação. No caso de estreitamentos ,são ressecados segmentos pequenos dos intestino; no caso de abcessos estes são drenados . A doença tende a retornar e necessitar de nova cirurgia, eventualmente.
Na colite ulcerativa a cirurgia já é mais agressiva havendo a necessidade da ressecção de todo o intestino grosso. No passado o paciente necessitava viver com uma bolsa de ileostomia ( a porção terminal do intestino delgado é colocado na pele e as evacuações se fazem em bolsas de plástico) . Atualmente , na maioria dos casos é possível realizar uma cirurgia em que se faz a custura do intestino delgado com o ânus.
Fonte: www.drashirleydecampos.com.br

1- Definição da Doença de Crohn



Olá a todos!

A inauguração desse blog será explicando a vocês o que é a Doença de Crohn, numa linguagem fácil e acessível.

É uma Doença Inflamatória Intestinal (DII) crônica. A palavra "crônica' indica que se trata de uma enfermidade de longa duração, mas no caso do Crohn ainda não se conhece a cura. Essa inflamação pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, ou seja, da boca até o ânus.

É uma doença auto-imune: agressão do organismo contra elementos normais, através dos anticorpos (células de defesa). Uma proteína normal do corpo, por exemplo, é reconhecida como estranha. O sistema imune então desencadeia uma inflamação, buscando eliminá-la. Com isso, esse mesmo sistema imune fica deficitário, a pessoa fica com uma imunidade baixa.

Existe outra DII chamada Retocolite Ulcerativa (RCU). As diferenças mais importantes entre ambas são:
  • A RCU ataca apenas o intestino grosso e o reto.
  • A inflamação da RCU acomete apenas a parte mais interna do intestino grosso (mucosa), enquanto que na Doença de Crohn todas as camadas dos intestinos podem ser afetadas.
Existem outras diferenças que iremos complementando ao longo das postagens. Abaixo uma imagem que descreve bem a anatomia funcional do aparelho digestivo:









Doença de Crohn – o que é?
© Equipe Editorial Bibliomed
Neste Artigo:
- O que é a doença de Crohn?
- O que quer dizer crônico?
- Quais os tipos de acometimento da doença de Crohn?
- Quem desenvolve a doença de Crohn?
- Existe alguma ligação genética?

O que é a doença de Crohn?
A doença de Crohn recebeu esse nome pois foi primeiramente descrita por um gastroenterologista chamado Burrill B. Crohn, em 1932, demonstrando as características de uma doença que hoje leva seu nome. A doença de Crohn e a colite ulcerativa, outra doença associada, são as duas principais representantes de um grupo de doenças denominadas de "Doenças Inflamatórias Intestinais". As duas doenças podem causar diarréia (às vezes com presença de sangue), bem como dor abdominal. Como os sintomas dessas duas doenças são muito parecidos, às vezes é muito difícil diferenciar as duas. De fato, aproximadamente 10% dos casos acabam não sendo classificados como nenhum dos dois tipos.
Enquanto a colite ulcerativa limita-se a acometer o cólon, ou intestino grosso, a doença de Crohn pode acometer qualquer porção do trato gastrintestinal, desde a boca até o ânus. No entanto, os locais mais acometidos são a porção final do intestino delgado e a inicial do intestino grosso. Todas as camadas da parede intestinal são acometidas, podendo também existir regiões de mucosa intestinal normal, entre as áreas doentes. Pelo contrário, a colite ulcerativa tem distribuição mais contínua, sem áreas normais entremeadas, além de acometer apenas a camada mais interna da parede do intestino.
O que quer dizer crônico?
Não se sabe exatamente o que causa a doença de Crohn e a colite ulcerativa. Além disso, não se pode predizer com exatidão como a doença – a partir do momento em que o diagnóstico é feito – afetará uma pessoa, em particular. Alguns pacientes viverão anos sem apresentar nenhum sintomas, enquanto outros apresentam períodos de recaída freqüentes. No entanto, uma coisa é certa: a doença de Crohn, bem como a colite ulcerativa, é uma condição crônica.
Uma doença crônica é uma condição progressiva. Esse tipo de doença pode ser controlado com o emprego do tratamento, porém não pode ser curado. Isso significa que a doença é de longa duração, porém não implica que ela seja fatal. E, de fato, a doença de Crohn não o é. Muitos pacientes portadores de doença de Crohn levam uma vida completamente normal e produtiva.
Quais os tipos de acometimento da doença de Crohn?
Os sintomas e potenciais complicações da doença de Crohn diferem, dependendo de qual região do trato gastrintestinal está acometida pelo processo inflamatório. Por isso é importante que o paciente saiba qual parte de seu trato gastrintestinal está acometida pela doença. A seguir, apresentamos os cinco tipos de acometimento pela doença de Crohn:
- Ileocolite: é a forma mais comum da doença de Crohn, afetando a porção final do intestino delgado e a inicial do intestino grosso. Os sintomas incluem diarréia, cólica ou dor abdominal em região inferior direita do abdome, ou na região mediana. Frequentemente, esse tipo da doença se acompanha de perda importante de peso corporal.
- Ileíte; esse tipo da doença acomete apenas a região terminal do intestino delgado. Os sintomas são os mesmos que os do tipo anterior. Complicações desse tipo da doença incluem a formação de fístulas (canais de comunicação entre cavidades ou entre cavidades e o meio externo) ou abscessos na região inferior direita do abdome.
- Doença de Crohn Gastroduodenal: afeta o estômago e o duodeno (porção inicial do intestino delgado). Os sintomas são de perda do apetite, perda de peso e náuseas. A ocorrência de vômitos pode indicar que os segmentos mais estreitos do intestino podem estar obstruídos.
- Jejunoileíte: acomete principalmente a primeira metade do intestino delgado, com várias áreas de inflamação. Os sintomas são de dor abdominal (de leve a intensa) e cólicas após a alimentação, bem como diarréia. Nesse tipo, também pode ocorrer a formação de fístulas.
- Colite de Crohn: afeta apenas o intestino grosso. Sintomas são diarréia, sangramento pelo ânus e acometimento da região perianal (abscessos, úlceras, fístulas). Lesões de pele e dor nas articulações são mais comuns nessa forma da doença do que nas outras.
Quem desenvolve a doença de Crohn?
Estima-se que até 1,4 milhões de norte-americanos sofram de algum dos dois tipos de doença inflamatória intestinal. Esse número é dividido igualmente entre as duas doenças.
  • A cada ano, cerca de 30.000 novos casos de doença inflamatória intestinal são diagnosticados;
  • Muitas pessoas com diagnóstico de doença de Crohn são jovens, com idade entre 15 e 35 anos;
  • No entanto, a doença de Crohn também pode ocorrer em pessoas com idade igual ou superior a 70 anos, bem como em crianças mais novas. De fato, 10% dos pacientes com essa doença apresentam idade inferior a 18 anos;
  • A doença afeta homens e mulheres, na mesma freqüência;
  • Parece que os indivíduos caucasianos (brancos) e judeus apresentam um risco maior de desenvolver doença de Crohn;
  • Tanto da doença de Crohn quanto a colite ulcerativa são doenças encontradas principalmente em países desenvolvidos, mais comumente em áreas urbanizadas, em comparação às áreas rurais. Além disso, a doença parece ser mais comum em climas do norte do que nos climas do sul.
Existe alguma ligação genética?
Os pesquisadores descobriram que a doença de Crohn tende a ocorrer mais frequentemente na mesma família. De fato, até 20% dos pacientes portadores de doença de Crohn apresentam um parente de primeiro grau (pai, mãe, irmão, primo ou outro parente mais próximo) com diagnóstico de doença de Crohn ou de colite ulcerativa.
Assim, fatores genéticos claramente possuem um papel. Os pesquisadores vêm trabalhado ativamente, há algum tempo, com o objetivo de encontrar alguma ligação com genes específicos, os quais controlariam a transmissão da doença de Crohn.
Recentemente, um grupo de estudiosos das doenças inflamatórias intestinais fez um grande progresso ao identificar o primeiro gene associado à doença de Crohn. Eles encontraram uma mutação anormal ou alteração, em um gene conhecido como NOD2. Essa mutação, que limita a capacidade de o organismo lutar contra bactérias, ocorre duas vezes mais frequentemente entre os pacientes com doença de Crohn do que na população geral.
Porém, atualmente não dispomos de método de rastreamento populacional para essa mutação. Além disso, não sabemos como prever quais indivíduos desenvolverão a doença. Também parece que mais de um gene esteja envolvido. Graças às novas tecnologias, no entanto, os pesquisadores em breve chegarão a esses tais genes.