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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Febre Reumática


Febre Reumática1. O que é a Febre Reumática?A Febre Reumática é uma doença inflamatória que pode comprometer as articulações, o coração, o cérebro e a pele de crianças de 5 a 15 anos.2. O que causa a Febre Reumática? A Febre Reumática é uma reação a uma infecção de garganta por uma bactéria conhecida como estreptococo. Essa infecção de garganta é caracterizada clinicamente por febre, dor de garganta, caroços no pescoço (gânglios aumentados) e vermelhidão intensa, pontos vermelhos ou placas de pus na garganta. A criança, geralmente maior de 3 anos de idade, poderá apresentar a infecção de garganta como qualquer outra criança e, geralmente, uma a duas semanas depois começa a apresentar as queixas da Febre Reumática.

3. Qualquer criança que tem infecção de garganta pode apresentar Febre Reumática? Não. Somente aquelas com predisposição para apresentar a doença. Inúmeras crianças apresentam freqüentes infecções de garganta, especialmente nos primeiros anos de vida, porém isto não é suficiente para predispô-las a apresentar a Febre Reumática. A predisposição necessária para apresentar a doença é herdada dos pais e já nasce com a criança.

4. É possível saber quem tem essa pré disposição? Ainda não. Têm sido feitas pesquisas tanto aqui no nosso meio como em outros países para sabermos qual o marcador da doença e acreditamos que em pouco tempo teremos resultados animadores.

5. Quais são as manifestações da Febre Reumática? A manifestação mais freqüente é a artrite que se caracteriza por dor intensa, que dificulta o caminhar, e por inchaço e calor discretos. As articulações mais acometidas são os joelhos e tornozelos. É comum a dor e as outras alterações passarem de uma articulação para outra permanecendo de 2 a 3 dias em cada uma. A simples presença de dor em uma ou mais articulações ou nas pernas e sem as outras alterações (inchaço e calor), não é um sinal da doença. A segunda manifestação da Febre Reumática é o comprometimento do coração ( cardite ) caracterizado por inflamação nas três camadas (na membrana que o reveste, no músculo e no tecido que recobre as válvulas). Clinicamente nós identificamos esse comprometimento pelo sopro cardíaco, pelo aumento da freqüência dos batimentos do coração e pelas queixas de cansaço e batedeira aos esforços. Este é o comprometimento mais importante porque pode deixar seqüelas e limitar a vida do paciente. A terceira manifestação é a Coréia que se caracteriza por fraqueza nos braços e pernas, por sensibilidade emocional (a criança se torna mais irritada e chorona) e por movimentos dos braços e pernas que pioram quando a criança fica tensa e desaparecem durante o sono. É importante saber que esta manifestação da febre reumática pode vir isolada (sem a artrite e/ou cardite) e meses após o quadro da infecção de garganta.

6. A criança com Febre Reumática sempre tem febre? Não. Embora o nome seja sugestivo nem todas as crianças apresentam febre como manifestação da doença. Ela aparece com maior freqüência durante a infecção de garganta e não necessariamente quando ela começa a apresentar as manifestações da Febre Reumática.

7. Como se faz o diagnóstico da Febre Reumática? Através das queixas que a criança vem apresentando nos últimos dias, ou seja, da presença de dor e inchaço nas articulações, do sopro cardíaco e/ou da coréia associada às alterações nos exames de sangue que podem comprovar a presença de inflamação: velocidade de hemossedimentação (VHS), proteína C reativa (PCR) e alfa glicoproteína. A presença de infecção de garganta antes do início das alterações articulares ou cardíacas é muito importante para o raciocínio do médico que poderá comprová-la através da dosagem da anti estreptolisina O (ASLO).

8. A ASLO dá o diagnóstico de Febre Reumática? Não. Ela é um anticorpo que o nosso organismo produz para combater o estreptococo durante ou logo após uma infecção de garganta. Portanto, ela serve apenas para nos dizer se a criança teve infecção por esta bactéria. Na ausência das manifestações típicas da Febre Reumática a ASLO não tem qualquer valor para o diagnóstico desta doença. Oitenta por cento das crianças com infecção de garganta pelo estreptococo apresentam elevação da ASLO porém somente 3% delas poderão apresentar Febre Reumática. É importante lembrar que a presença de dor nas pernas e ASLO elevado não significam febre reumática.

9. Como se trata a Febre Reumática? O primeiro passo logo que se suspeita desta doença é tratar a infecção de garganta mesmo que ela tenha acontecido 2 ou 3 semanas atrás e isto deve ser feito com a penicilina benzatina em uma única aplicação na dose de 600.000 unidades para crianças com menos de 25 kg e 1.200.000 unidades para aquelas com 25 kg ou mais.
O segundo passo é tratar a artrite com antiinflamatório não hormonal como o ácido acetil salicílico (AAS) na dose de 80 a 100 mg/kg/dia por 4 a 6 semanas. Para o tratamento do comprometimento do coração se utiliza o corticóide na dose de 1 a 2 mg/kg/dia por 6 a 8 semanas e para o tratamento da Coréia o haloperidol ou o ácido valpróico até os movimentos cessarem.
Embora estas etapas sejam muito importantes no tratamento da criança com Febre Reumática a medida que poderá fazer a diferença na evolução do paciente é o que chamamos de profilaxia secundária, ou seja, a administração da penicilina benzatina nas doses acima referidas a cada 3 semanas (21 dias) para evitar que a criança tenha novos surtos da doença.
Outro aspecto importante no tratamento das crianças com Febre Reumática é o repouso que deverá ser individualizado para cada paciente. Logo que se faz o diagnóstico desta doença se orienta a família para manter a criança em casa (fora da escola) em repouso relativo (evitar brincadeiras na rua ou no playground) por pelo menos 15 dias para podermos avaliar a intensidade das manifestações. Se a criança apresentar cardite importante ela deverá fazer repouso no leito por pelo menos 2 a 3 semanas até podermos avaliar a melhora clínica e dos exames laboratoriais. Se não houver o comprometimento do coração ela poderá retornar à escola após os 15 dias porém ainda evitar as brincadeiras de rua. A dispensa da educação física deverá durar de 2 a 3 meses.

10. Por quanto tempo ela terá que tomar a penicilina? Se durante o surto a criança não apresentou comprometimento do coração deverá ser até os 18 anos ou por no mínimo 5 anos caso seja um adolescente; entretanto, se a criança apresentou cardite ela poderá ter que faze-lo até os 25 anos ou por toda a vida, dependendo da gravidade do quadro.

11. Quais as complicações que a criança pode apresentar se tomar a penicilina por muito tempo?
O maior inconveniente desta medicação é a dor no local da aplicação. Não há qualquer efeito indesejável para o crescimento, para o esmalte dos dentes ou mesmo para os ossos da criança com o uso da penicilina por vários anos. Também não se tem observado resistência da bactéria (estreptococo) com o uso prolongado desta medicação.

12. E quanto a alergia à peniclina? Felizmente a alergia à peniclina é muito rara, em torno de 1,5% a 3% em todas as idades. Na criança com menos de 12 anos as reações graves, como o choque anafilático, são mais raras ainda, estando na faixa de 0,7%. Portanto o medo que muitas famílias têm em utilizar esta medicação é infundado. Há alguns anos era comum os farmacêuticos fazerem um teste nas crianças para avaliarem se eram alérgicas ou não à penicilina. Em muitos casos o diagnóstico de alergia era feito por causa de uma reação vermelha que aparecia no local do teste. Este procedimento foi proibido porque era realizado de maneira errada. Os farmacêuticos utilizavam a própria penicilina que não é adequada para a realização do teste e além disso por ser irritante para a pele ela pode ocasionar a vermelhidão sem que isso signifique alergia. Desse modo muitas crianças deixaram de se beneficiar deste tratamento por um diagnóstico errado de alergia à penicilina.

13. Qual o problema se a criança tiver mais de um surto de Febre Reumática?
A chance dela apresentar o comprometimento do coração vai aumentando na medida em que outros surtos vão aparecendo assim como um importante agravamento deste comprometimento podendo ser necessária cirurgia para troca da valva cardíaca. Ou seja, a cada surto novo de Febre Reumática o coração irá piorar.

14. A retirada das amígdalas pode melhorar a Febre Reumática ou impedir que criança tenha outros surtos?
Não. Isto porque a criança poderá continuar tendo infecções pela mesma bactéria nas paredes da garganta mesmo na ausência das amígdalas.

15. Não existe uma vacina para evitar estas infecções ou a Febre Reumática?
Ainda não, mas acreditamos que muito breve isto será possível graças ao esforço de grupos de pesquisa, inclusive do Brasil, que continuam trabalhando com este objetivo.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Doenças Reumáticas

Doenças Reumáticas                                
Conceito
O termo reumatismo, embora consagrado, não é um termo adequado para denominar um grande número de diferentes doenças que tem em comum o comprometimento do sistema músculo-esquelético, ou seja, ossos, cartilagem, estruturas peri-articulares (localizadas próximas às articulações, tendões, ligamentos, fáscias, etc) e/ou de músculos.
Ao contrário do que ocorre com doenças cardíacas, neurológicas ou gastrintestinais, que podem ser definidas como doenças que acometem determinado órgão ou sistema, o conceito de que as doenças reumáticas são as doenças que acometem o sistema osteo-articular nem sempre é correto, pois, muitos pacientes com doenças reumáticas podem não apresentar queixas articulares, ósseas ou comprometimento de tecidos peri-articulares, mais sim de órgãos diversos, como rins, coração, pulmões, pele e etc.
Apenas didaticamente, poderemos classificar as doenças reumáticas, de acordo com os mecanismos de lesão ou localização preferencial da doença em:
1. Doenças difusas do tecido conjuntivo

Doenças que cursam com inflamação do tecido conjuntivo e que estão relacionadas aos distúrbios do sistema imunológico, que passam a reagir contra uma célula, tecido ou outro antígeno do próprio organismo:

a) Lúpus Eritematoso Sistêmico;
b) Artrite Reumatóide;
c) Esclerose Sistêmica;
d) Doença Muscular Inflamatória (Polimiosite e Dermatomiosite);
e) Síndrome de Sjögren;
f) Policondrite Recidivante;
g) Doença Mista do Tecido Conjuntivo (Doença de Sharp);
h) Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide;
2. Vasculites Sistêmicas
a) Arterite De Takayasu;
b) Granulomatose de Wegener;
c) Arterite Temporal;
d) Doença de Behçet;
3. Espondiloartropatias

Doença inflamatória da coluna vertebral podendo ou não causar artrite em articulações periféricas e inflamação em outros órgãos como o olho.

a) Espondilite Anquilosante;
b) Síndrome de Reiter;
c) Espondiloartropatia da Psoríase;
d) Espondiloartropatia das Doenças Inflamatórias Intestinais;
e) Espondiloartropatias Reativas;
4. Doenças osteometabólicas

Doença que afetam principalmente os ossos.

a) Osteoporose;
b) Osteomalácea;
c) Doença de Paget;
d) Hiperparatiroidismo;
5. Doenças Articulares Degenerativas

Doenças degenerativas que afetam as articulações.

a) Osteoartrose Primária;
b) Osteoartrose Secundária (secundária a acromegalia, fraturas, má formação da articulação e ossos, etc.);
6. Artropatias Microcristalinas

Doenças articulares causadas por microcristais.

a) Gota;
b) Condrocalcinose;
c) Artrite por hidroxiapatita;
d) Artrite por outros microcristais;
7. Artropatias Reativas

Doenças reumáticas associadas a processos infecciosos.

a) Artrites Infecciosas (infecção dentro da articulação);
b) Osteomielite (infecção no osso);
c) Artrite Reativa (artrite secundária a processo infeccioso localizado em outros locais Ex: Chlamídia, Viroses, Amidalite e etc);
d) Febre Reumática;
e) Doença de Lyme;
8. Reumatismos Extra-articulares

Doenças que acometem estruturas próximas às articulações, mas não afetam a articulação propriamente dita.

a) Fibromialgia;
b) Dor Miofascial ;
c) Tendinites (de ombro, de extensores e flexores dos dedos, etc);
d) Bursites (do ombro, do trocanter, etc);
e) Esporões do calcâneo;
f) Fasceíte Plantar;
g) Epicondilite;
9. Artrites intermitentes
a) Febre Familiar do Mediterrâneo;
b) Reumatismo Palindrômico;
c) Hidrartrose Intermitente;
10. Artropatias secundárias a outras doenças não reumáticas

Queixas osteo-articulares que podem ocorrer na evolução de outras doenças.

a) Diabetes mellitus;
b) Hipotiroidismo;
c) Hiperteiroidismo;
d) Tumores (ósseos, articulares, tecidos peri-articulares)

As causas, tratamentos e conseqüências das diversas doenças reumáticas podem ser muito diferentes, razão pelo qual se torna importante saber qual a doença de cada paciente, ao invés de simplesmente classificar como tendo uma doença reumática.

Os termos "reumatismo" ou "doença reumática", na realidade, nada significam, pois não são diagnósticos. O médico deve procurar identificar qual doença que cada paciente tem.

Quando alguém diz que tem artrite significa apenas que tem inflamação da articulação, que pode ser evidenciado por dor, edema (inchaço) e calor na junta. A artrite é uma manifestação comum à maioria das doenças reumáticas que comprometem as articulações. Portanto, artrite não é um diagnóstico. O paciente deve procurar saber o diagnóstico exato de sua doença e não se satisfazer com o diagnóstico de "reumatismo", "doença reumática" ou de "artrite".

Muitas dessas doenças são de evolução crônica e necessitam tratamento prolongado, mas a evolução e o prognóstico são muito variáveis, de doença para doença e de paciente para paciente, assim ao contrário do que se diz popularmente não é uma "doença de velho", mas sim pode também acontecer em qualquer idade, inclusive em crianças recém-nascidas. Como o tratamento dependerá do tipo de doença e do paciente em si, o diagnóstico correto e o tratamento adequado é fundamental, para um prognóstico mais favorável.

O diagnóstico precoce ("o quanto antes") é de suma importância para um a boa evolução da doença, evitando complicações que podem incapacitar o paciente de forma definitiva. Por isso, a busca do especialista é essencial.

Desta forma, a Sociedade Brasileira de Reumatologia se propõe a criar um site com noções de suas principais doenças.

Esperamos com isso preencher as necessidades do público em geral, não só no conhecimento de sinais e sintomas dessas doenças, mas sobretudo na importância de procurar o especialista correto para elas, qual seja o REUMATOLOGISTA.

Outras Doenças
   Fibromialgia (arquivo pdf com 186 kb)
   Artrite Reumatóide (arquivo pdf com 383 kb)
   Gôta (arquivo pdf com 169 kb)

Os mitos e as verdades sobre os alimentos


Os mitos e as verdades sobre os alimentos

Os mitos e as verdades sobre os alimentos

Vaivém de pesquisas científicas sobre determinados nutrientes pode causar confusão na hora de escolher o que colocar no prato.
 

Por Fernanda Dias

23/11/2010


O tomate era considerado vilão pela semente que poderia dar cálculo renal (Fonte: FreeDigitalFotos)

Eles rapidamente transitam da lista de vilões para a de mocinhos e vice-versa. Atacados por alguns cientistas num determinado momento, tempos depois eles passam a ser defendidos por um estudo que diz que não é bem assim. O certo é que alguns alimentos figuram constantemente no centro do debate do que faz bem ou não para a saúde. Entre os que mais oscilam na gangorra de benéficos ou maléficos ao organismo estão o ovo, o sal, a manteiga, o chocolate e o tomate. Mas, afinal, o que realmente devemos absorver dessa guerra de informações contraditórias?
Para o chefe de Nutrição do Instituto Nacional de Cardiologia, Marcelo Barros, é preciso observar, principalmente, se o estudo não apresenta resultados preliminares. Além do mais, não podemos esquecer, como ressalta Barros, que uma única pesquisa é insuficiente para mudar as recomendações alimentares da população:
“Uma reportagem que dizia que o chá de pata de vaca era importante para controlar o diabetes fez com que várias pessoas corressem às lojas para comprar o composto. Isso estava sendo testado em animais e foi apresentado como se fosse coisa definitiva. É aí que está o risco”.
Segundo Barros, até se comprovar que teorias obtidas com animais podem ser comprovadas em humanos há uma demora de pelo menos mais cinco a dez anos de estudos. Ele enfatiza ainda que é necessário observar a população abordada pela pesquisa, pois o grupo estudado pode ter especificidades distintas das do paciente.
“Não podemos dizer se um alimento faz bem ou mal. O ovo, por exemplo, faz mal a algumas pessoas e bem a outras. Para uma paciente com problemas como colesterol, diabetes ou hipertensão, ele pode ser um veneno, mas para uma pessoa desnutrida pode ser um santo remédio. Por isso, é fundamental saber quais as características do grupo utilizado na pesquisa”, explica o especialista.
O fato de, em geral, comermos mais de um tipo de alimento de uma só vez dificulta ainda mais os testes com alimentos. Conforme observa o diretor da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) Paulo Henkin, as substâncias que ingerimos interagem com o nosso corpo. Assim, não basta estudar as propriedades de um alimento, é preciso conferir não só os efeitos desse nutriente no organismo, mas também as reações que ele pode desenvolver quando aliado a outros compostos.
“Hoje já se sabe que existem mais de 24 mil substâncias nos alimentos. Dentro do estômago, elas reagem entre si e com o corpo humano. A ciência já detectou, por exemplo, que alguns nutrientes presentes nas frutas bloqueiam o processo de formação de células cancerígenas. Mas, ainda não se sabe precisamente qual é essa substância, em que frutas ela está presente, e em qual quantidade deve ser ingerida”, ressalta Henkin.
Os especialistas são unânimes em dizer que, antes de abolir ou exagerar no consumo de um alimento em função de uma nova pesquisa que foi divulgada pela mídia, é fundamental consultar um médico. Ele saberá indicar qual é a melhor dieta para cada caso. Membro do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Engenheiros de Alimentos (Abea), Fabiane Mendes da Câmara lembra que os alimentos são veículos de nutrientes que o organismo precisa:
“Os alimentos são nutrientes e, portanto, sempre são saudáveis. Não há alimento não saudável, conforme é muito comum aparecer erroneamente na mídia ou na linguagem de leigos. Se não for saudável, não é um alimento”.
Já a quantidade que uma pessoa pode ingerir de determinado alimento vai depender, principalmente, dos resultados de exames laboratoriais como os que medem colesterol, triglicerídeos, glicose, nível da pressão, etc.
“Não dá para dizer que uma pessoa hipertensa nunca mais vai poder tocar num bacalhau. Se ela mantém suas taxas sob controle, pode liberar o bacalhau no Natal. Só não pode comer o peixe junto com o tender, a castanha, o peru. Em termos de alimentação, saber balancear é o grande segredo”, finaliza Barros.
Confira alguns alimentos que vivem oscilando entre os que fazem bem ou mal à saúde:
- Ovo: alguns trabalhos indicam que ele é capaz de retardar o Mal de Alzheimer e pode ajudar a melhorar a memória. A proteína do ovo não perde para a da carne, porém é rica em colesterol. Uma gema tem 213mg de colesterol, enquanto o recomendável é o consumo de 200mg. Quem não tem nenhum problema de colesterol pode ingerir até quatro ovos por semana.
- Café: as pesquisas são contraditórias no que diz respeito aos efeitos dessa substância para quem tem pressão alta, osteoporose ou osteopenia. Há estudos iniciais que indicam que ele pode prevenir diabetes e problemas cardiovasculares. Recomenda-se que o consumo não passe de três a cinco cafezinhos por dia.
- Chocolate: o meio-amargo, com 70% de cacau, pode reduzir a pressão arterial e controlar o diabetes. O ideal seria o consumo de 100 gramas por dia, mas isso equivale a quase 500 calorias e pode levar à obesidade. O recomendado é a ingestão de, no máximo, 40 gramas durante três vezes por semana. O tipo ao leite não tem os mesmos benefícios.
- Margarina, manteiga: de um modo geral, não são recomendadas. O ideal é consumir azeite no pão. A vantagem é que o azeite é rico em gordura monosaturada, que aumenta o HDL (colesterol bom) e modera o açúcar do pão. Ele é rico em antioxidantes, que controlam as doenças cardiovasculares, diabetes, cânceres e processos inflamatórios. A manteiga pode ser liberada no fim de semana para quem tem colesterol normal. Já para quem tem os níveis alterados, é preciso ter cuidado. Quanto às margarinas, alguns fabricantes dizem que seus produtos são sem gordura trans, mas não há uma fiscalização que comprove isso.
- Tomate: era considerado vilão pela semente que poderia dar cálculo renal. Isso já caiu por terra. Outra questão negativa associada ao tomate é que ele retém uma grande quantidade de agrotóxicos. A solução é lavar bem, tirar a pele ou comprar orgânicos. Hoje se sabe que ele é rico em licopeno, um antioxidante que atua principalmente na prevenção do câncer. Na forma crua, há uma menor absorção dessa substância. O ideal é usar o tomate como molho ou refogado. A goiaba e a melancia também são fontes de licopeno.
- Sal: ainda é um grande vilão se consumido em excesso, principalmente para quem tem pressão alta, doenças renais, problemas cardíacos e de visão. Há 1 ano e meio, a recomendação era de 6 gramas por dia, e o brasileiro consumia de 12 a 20 gramas. Hoje, o valor recomendado caiu para 5 gramas. É preciso cuidado com o saleiro na mesa, com as comidas industrializadas, os enlatados e os embutidos. A azeitona também é muito rica em sal.
- Nozes: é recomendável uma unidade por dia. Estudos mostram que mulheres que consumiram uma noz por dia tinham 35% menos chances de terem doenças cardiovasculares.

Fonte: Marcelo Barros, chefe de Nutrição do Instituto Nacional de Cardiologia.

O Pulmão e as Doenças Reumáticas

29 de novembro

O Pulmão e as Doenças Reumáticas

O Pulmão e as Doenças Reumáticas

As doenças reumáticas (ou doenças do tecido conjuntivo) são um grupo de doenças heterogêneas, cujo processo de instalação baseia-se em inflamações causadas por uma desregulação do sistema imune, responsável pelas defesas do nosso organismo. Dentre as doenças do tecido conjuntivo estão a Artrite Reumatóide, Lupus Eritematoso Sistêmico, Esclerose Progressiva Sistêmica, Dermatopoliomiosite, Síndrome de Sjoegren e Espondilite Anquilosante, dentre outras. Estes grupos de doenças ainda não têm uma causa completamente definida pela ciência e, atualmente, acredita-se que exista um processo multifatorial, com fatores genéticos, constitucionais e ambientais envolvidos no seu desenvolvimento. A maioria destas doenças se manifesta com sintomas clínicos de dor ou rigidez em articulação das mãos,joelhos, coluna e outras, podendo também existir nódulos subcutâneos, inflamação ocular, aumento dos linfonodos, pericardite (inflamação do coração), aumento do baço, febre e outros. Embora a Artrite Reumatóide tenha sido descrita por Landre-Beauvais em 1800 (com uma provável menção anterior por Sydenham em 1676), a associação entre essa doença e o acometimento dos pulmões foi descoberta somente em 1948 por Ellman e Ball. O aparecimento de doença pulmonar (Fibrose Pulmonar) e da Artrite Reumatóide parece ser mais comum em homens do que em mulheres (na taxa de 3 homens/1mulher), principalmente naqueles cuja doença reumática tem começo tardio. Os sintomas existentes nos indivíduos com Fibrose Pulmonar e as Doenças Reumáticas ( em particular Artrite Reumatóide) são a falta de ar ao esforço ou em repouso, tosse seca e, menos freqüentemente, dor torácica, febre e pequenas perdas de sangue com a tosse (também chamadas hemoptises).Estes sintomas podem aparecer sozinhos ou em associação. Não se pode afirmar com precisão quando exatamente estes sintomas costumam aparecer, sendo que geralmente os sintomas articulares de mãos e pernas precedem os sintomas pulmonares, mas são descritos casos com aparecimento simultâneo da doença articular e pulmonar. Em 1/5 dos casos os sintomas pulmonares são os primeiros a aparecerem. Os sintomas pulmonares podem aparecer antes de qualquer alteração ao exame radiológico do tórax, mas também existem casos de pessoas sem sintomas respiratórios e com exames radiológicos pulmonares alterados. Como a apresentação clínica destas doenças pode ser um tanto confusa inicialmente, o que se recomenda é que as pessoas portadoras de doenças reumáticas estejam em acompanhamento médico regular, e ao aparecimento de sintomas como a fadiga, falta de ar ao esforço ou em repouso, tosse seca ou outra mudança, notifiquem os seus médicos, e estes os encaminharão ao Pnemologista, se necessário. Os exames habitualmente utilizados pelo Pneumologista para esclarecimento da Fibrose Pulmonar associada às doenças reumáticas são o raio X de tórax, espirometria, oximetria de pulso e/ou gasometria arterial (medida da oxigenação no sangue arterial), medida da difusão de monóxido de carbono (DLCO), tomografia computadorizada do tórax. Em alguns casos a biópsia pulmonar pode ser indicada, procedimento este que atualmente causa pouco incômodo, sendo de baixo risco, que pode ser entretanto de grande valia para aumentar o sucesso no tratamento. Também podem ser realizados testes de exercícios supervisionado com medidas de consumo de oxigênio (ergoespirometria ou testes de exercício cardiopulmonar), existentes apenas em alguns centros do Brasil. Para o tratamento existe uma série de medicamentos disponíveis para controle da doença pulmonar, como os corticosteróides (cortisonas),a ciclofosfamida, azatioprina e metotrexate, dentre outros que devem ser administrados sempre com a supervisão do Pneumologista. Ao lado do tratamento medicamentoso para as doenças estáveis e que ainda causarem sintomas limitantes às atividades da vida diária é recomendado o Programa de Reabilitação Pulmonar que, comprovadamente, reduz a falta de ar, aumenta a tolerância às atividades físicas e melhora a sensação de bem-estar destas pessoas. Em resumo, ninguém melhor do que o seu médico para lhe ajudar a ter uma boa saúde e uma excelente qualidade de vida! Dr. Aquiles Camelier – Pneumologista / SP

Crédito: Dr. Aquiles Camelier – Pneumologista / SP











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O GRUPAR-RP - Grupo de Apoio ao Paciente Reumático de Ribeirão Preto é uma entidade sem fins lucrativos, fundada por pessoas portadoras dos mais diversos tipos de doenças reumáticas e apoiada por médicos reumatologistas da cidade e das faculdades de medicina de Ribeirão Preto.

O Grupar-RP tem por núcleo o Grupo EncontrAR e juntos realizam o Projeto Blogueiros da Saúde.

Qualquer publicação neste blog, trará no rodape do post a fonte, com Link para o artigo ou reportagem original.

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